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TEMPOS FELIZES QUE ANTECEDERAM O GOLPE

- Crônica do dia 01-07-2020 -

No tempo que os dois comunistas não tinham barba... Depois dessa época nunca mais houve tanta alegria nos corações de tanta gente, pelo o menos no meu foi assim.

Ai... Aqueles momentos felizes que antecederam o golpe, eram momentos mágicos! O Canal do Sertão pensado por Dom Pedro II tinha sido entregue a terceira etapa, e por uma mulher, a primeira desde que a filha do próprio Imperador foi expulsa do trono por abolir a escravidão no Brasil.

No tempo em que a gente reclamava de "ganhar mil e quinhentos contos" num telemarketing na República e comer batata frita com chedar e só ter dinheiro pra comprar uns sorvetes no Mc Donalds daquele que vem com óreo e cobertura de chocolate e distribuir uns quinze sorvetes de casquinha com a molecada da Praça da República com o vale refeição uma vez por mês.

Uma provinha com dez questões, tranquila, mais a encheção de saco dos supervisores. E agora eu me pergunto: QUEM A ESSA HORA NÃO TÁ CLAMANDO POR UMA OPORTUNIDADE DESSAS?

Era um tempo que a gente estava brigando pra saber qual era a melhor forma de distribuir os Royalties das obras em projetos sociais, ou brigando com algum prefeito que roubou esse dinheiro.

Era tempo em que uma emenda parlamentar pra fazer um projeto de médio porte era só um telefonema para um técnico do Ministério do Desenvolvimento Agrário, ou do Ministério da Integração e você conseguia um projeto para ajudar a sua comunidade, e eles ainda te ensinavam a escrever.

No tempo que na Secretaria de Políticas Públicas de Igualdade Racial tinha um cara chamado "HANS", um alemão que era mais preto que muito preto que eu conheço, principalmente que O ESCROTO DO PESTANA, e nos ajudava com informações em imensa presteza para que conseguíssemos estruturar a Coordenadoria de Igualdade Racial de Mauá.

Era o tempo em que a gente brigava dentro do CONJUVE para ver quem tinha a melhor ideia pra melhorar o Brasil. No tempo que o Governo Federal PAGAVA PRA PESSOAS DE TODOS OS LUGARES DO PAÍS LEVAREM SUAS DEMANDAS PRA BRASÍLIA.

E isso com passagem de avião e hotel cinco estrelas pra receber o povo. Hoje a gente tem deputada defendendo que NINGUÉM TEM O DIREITO DE MORAR NA RUA. Não temos mais nem o direito de sermos MENDIGOS. TEMOS DE SER ELIMINADOS!

E aí perguntam o porquê de você estar triste...

Simples: Vivemos um sonho maravilhoso chamado DEMOCRACIA, um sonho no qual o povo era bem vindo na capital do país e não tinha uma cerca entre o Palácio do Planalto e a Praça dos Três Poderes.

Vivemos o sonho da ENERGIA ELÉTRICA chegar na casa de todos, e a água ser um bem possível de ser acessado no mais profundo deserto do semi-árido brasileiro. Vivemos o sonho de ver terras de grandes latifundiários que nos roubaram essas terras há séculos, serem dividas para as pessoas que sempre trabalharam nelas.

Vimos quilombos terem suas culturas resgatadas, patrimônios históricos serem preservados e reconstituídos, nossa história devolvida, nossas características percebidas, nosso povo identificado como belo do jeito que é sem precisar de estereótipos de beleza europeus.

Não existia mais fome, os dados dos indigentes estavam sendo contabilizados de forma mais eficaz a cada dia, os sistemas foram se informatizando, tivemos acesso às contas públicas e tivemos portal da transparência.

Nós tivemos GILBERTO GIL como MINISTRO DA CULTURA. Um artista mundialmente reconhecido que colocou o cinema brasileiro a toda prosa, o que alavancou de maneira fantástica o mercado cultural brasileiro e o engajamento dos artistas e acadêmicos em estudar O POVO BRASILEIRO!

Começamos a estudar junto com os brancos e conviver nos mesmos espaços, mesmo contra a vontade deles. Agora eles seriam obrigados a olhar pra gente e ver que existíamos e que tínhamos que ser bem melhores que eles pra podermos chegar ao mesmo lugar.

Estávamos lutando o bom combate, agora a polícia seria punida por nos agredir indiscriminadamente. Mortes de meninos pretos começaram a ser contabilizadas. Todo o Brasil ficou a um simples clique.

Os computadores, agora, não custavam mais os cinquenta salários mínimos de antes. E a internet agora seria distribuída para todo o Brasil, assim como o acesso à aparelhos telefônicos, informação, Institutos e Universidades Federais, e tantos outros benefícios.

Momentos felizes que antecederam o golpe...

Começávamos a ser vistos e termos origem, etnia, deixamos de ter vergonha de nossos sobrenomes, nossos traços negróides, nosso cabelo pixaim, nossos dreads, nossa barba, nossos brincos, nossas alpargatas, nosso sotaque, nossa fala "fora dos padrões".

Do sonho de sermos, homens, mulheres, LGBTQI's, TODOS IGUAIS, fôssemos do Nordeste, do Norte, do Centro Oeste, do Sudeste e do Sul. Todos teríamos de nos reunir para discutirmos um país melhor, e conversarmos com pessoas com sotaques diferentes, cores diferentes, culturas diferentes, e todos nos entendíamos e achávamos o máximo essa troca.

No tempo que a mãe podia ver uma filha distante porque o avião era barato, e ela, já com seus setenta ou oitenta anos, não podia mais pegar três dias de estrada. As famílias se viam mais, a alegria era maior, a gente era mais mais feliz, quando um quilo de picanha no sertão de Alagoas custava OITO REAIS.

Esses momentos felizes nos foram tirados. Adoecemos, ficamos tristes até que reconhecemos que não podíamos ficar parados e precisávamos deixar as divergências de lado e nos pedirmos perdão e nos perdoarmos para que pudéssemos lutar contra um inimigo maior.

Acho que esse foi o momento em que deixamos de sermos simples jovens militantes e passamos a ser verdadeiros combatentes pra que nosso sonho fosse restituído.

Vivemos a desilusão do herdeiro que vê sua fortuna sendo roubada por seu advogado e ele se vê na situação de travar a mesma luta que seus anteriores travaram, a luta de construir um país melhor pra seus filhos.

Mas, desta vez, sabendo que não podemos cometer os mesmos erros de antes, o de darmos mais vazão a nossa vaidade e nosso ego insuportavelmente inflado, para PRIORIZARMOS A UNIÃO E O TRABALHO CONJUNTO, aceitando todas as pessoas como elas são e colaborando mutuamente para melhorarmos.

Pra quem chama os Trabalhadores sem Terra de ATEUS, COMUNISTAS, é porque nunca ouviram falar da PASTORAL DA TERRA. Quando a fé em Cristo era a voz do Papa Leão XIII, não a de Edir Macedo.

E aí tivemos de pegar nossas "armas" e irmos para o campo de batalha, reconquistar o território que estava sendo novamente ameaçado por um invasor que já havia sido expulso dessas terras, os abomináveis Ianques Republicanos.

Una mattina mi son' svegliato
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao


E, no campo de batalha, a única certeza é que nossas barbas crescem, de um jeito, ou de outro. Seja por morrer e ficar largado na sarjeta como mais um indigente, ou atrás das grades de alguma cela, talvez abandonado em algum manicômio, ou nas ruas de alguma cidade qualquer bêbado e destentado, seja por lutarmos tanto que não temos mais tempo de nos barbearmos e acabamos acostumando com o visual.

Talvez seja até um jeito de ficar mais parecido com quem nos inspirou, seja ele Jesus Cristo, Karl Marx, Che Guevara, Raul Seixas, Fidel, Freud, Nietzche, Engels, Dom Pedro II, Deodor... NÃO, #ELENÃO! ... OU O PRÓPRIO LULA!.

Graciliano Tolentino
Graciliano Tolentino
Enviado por Graciliano Tolentino em 01/07/2020
Alterado em 01/07/2020
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