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MEU CARO AMIGO JÁ NÃO POSSO LHE ESCREVER...
- Crônica do dia 26-11-2019-
 
 
“Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever, mas correio andou arisco”...
 
É o fim dos tempos mesmo! O indivíduo já está encarcerado e não pode nem fazer uma declaração de amor para sua mulher, se corresponder com um amigo, falar de coisas familiares que agora, novamente “A lei te vigia, bandido infeliz/ Com seus olhos de raios X”!
 
Por isso, “Se pensas que burlas as normas penais/ Insuflas agitas e gritas demais” é bom JAIR trabalhando sua telepatia pra ver se consegue se comunicar em paz depois de preso, porque mesmo com tudo contrário, “A gente vai contra a corrente/ Até não poder resistir”.
 
O Fantasma que assombra o Planalto Central é o espírito de Luís Inácio. Todas as leis estão sendo voltadas para tentar pegar o homem que parece ser mais liso do que baba de quiabo e tá se mostrando mais resistente do que pau de baraúna.

Agora uma lei inferior burla a Constituição, novamente, que exige ordem judicial para violação de correspondências para fim de investigação. O inciso XII do artigo quinto é bem claro quando reza: 

XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, NO ÚLTIMO CASO, POR ORDEM JUDICIAL, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; 
 
O presidente só não vê o Lula no Espelho porque vampiro não tem reflexo. Gostaria de ser amado como “O Cara é”, mas impossível, e vive de lamentações em suas “lives ao vivo” dizendo que “no fundo é um sentimental/ (afinal) Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo(além da sífilis, é claro)/ (E que) Mesmo quando as suas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar/ Seu coração fecha os olhos e sinceramente chora...".
 
Sério... Ele tenta ser legal, tenta ser amado. Mesmo em suas posições machistas ele tenta ensinar para as mulheres o que precisam fazer para serem amadas por ele e pelos que pensam igual, afinal, basta que elas “Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas/ (Que) Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas/ Elas não têm gosto ou vontade/ Nem defeito nem qualidade/ Têm medo apenas”.

Ele gosta mesmo é dos ruralistas, e vive sua vida sonhando com um Brasil diferente. Em seus discursos inflamados sobre a produção agrícola do país, sempre exalta suas pretensões voluptuosas: "Ai esta Terra ainda vai cumprir seu ideal/ Ainda vai tornar-se um imenso CANAVIAL".

                "Com avencas na caatinga
                  Alecrins no canavial
                  Licores na moringa
                  Um vinho tropical
                  E a linda mulata
                  Com rendas de Alentejo
                  De quem numa bravata
                  Arrebata um beijo".

 
O que a gente sabe é que todo esse discurso racista, misógino de gente frustrada de “Tem que bater, tem que matar/ Engrossa a gritaria/ Filha do medo, a raiva é mãe da covardia”, é só fraqueza de querer o que não se tem... Mas, “a gente vai levando só de birra, só de sarro/ E a gente vai fumando que, também, sem um ‘cigarro’/ Ninguém segura esse rojão”.

Por que no final das contas, o que importa é que: “Apesar de você amanhã há de ser outro dia”. Porque ainda que “A Lei te procure amanhã de manhã/ Com seu faro de doberman”, “Eu pergunto a você(Jairzinho) onde vai se esconder/ Da enorme euforia?
 
“Como vai proibir/ Quando o galo insistir em cantar?” “Você vai ter que ver/ A manhã renascer/ E esbanjar poesia”. Por que isso é histórico, quanto mais o Estado usou a força para reprimir o povo, mais inteligente a resistência ficou, por um simples motivo:
 
“Em uma guerra se evita a força, e se ataca a fraqueza”. E a fraqueza de todo ditador é sempre sua arrogância... Afinal “enquanto a polícia e os militares atuam a favor do inimigo, a quem as pessoas odeiam, o guerrilheiro urbano defende uma causa justa, que é a causa do povo”.
 
Graciliano Tolentino
Graciliano Tolentino
Enviado por Graciliano Tolentino em 26/11/2019
Alterado em 26/11/2019
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