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PINOCHET SERIA HOMENAGEADO NA ALESP... POR QUÊ?

- Crônica do dia 21-11-2019 -

Pinochet é um nome que quase nem se ouvia falar no Brasil até pouco tempo quando o Biroliro resolveu retrucar uma crítica da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michele Bachelet que afirmou que houve REDUÇÃO NO CAMPO DEMOCRÁTICO BRASILEIRO nos últimos anos.

Pra provocar Bachelet, ele se valeu de um de seus comportamentos mais famosos: Atacou pessoalmente o interlocutor com um fato que bastante lhe machuca. O presidente exaltou Pinochet e disse que Michele conhecia bem a história.

Bachelet não só “conhece bem a história”, como foi uma das trinta e oito mil vítimas de tortura do regime e seu pai figurou entre os três mil e duzentos mortos políticos do regime. Já é inconteste entre os estudiosos que a ditadura de Pinochet foi a mais sanguinária da América Latina.

Segundo o presidente, “graças a Pinochet não se instalou um regime comunista no Chile”.

O método de tortura principal da galera do Pinochet era realmente o estupro. Tinham até cães adestrados responsáveis por estuprar mulheres, e o troféu principal do ditador era deixar a marca eterna da gravidez nas presas políticas que ou abortariam ou carregariam no rosto de seu filho ou filha os traços do militar que a impingiu sofrimento.

Bachelet chegou a ser presa pelo regime, e foi torturada. O resto fica subentendido.

Queimaduras com charutos, chupões, inserção de ratos nas vaginas e ânus. Choques elétricos e até CHURRASQUEIRAS eram utilizadas para “extrair confissões”, além de haverem milhares de casos de pais serem obrigados a estuprar as próprias filhas ou presenciarem cenas dos estupro delas.

E aí, como se não bastasse a verborragia presidencial, vem um Deputado do PSL paulista e inventa um evento pra homenagear essa peça. O Deputado Frederico D’ávila solicitou o acontecimento do evento.

Graças à sanidade do Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, o Deputado Cauê Macris do PSDB, o evento foi cancelado. Ponto para a democracia.

O REVISIONISMO HISTÓRICO é uma das principais ferramentas utilizadas pelos fascistas para criarem um mundo à sua imagem e semelhança e convencerem jovens bem-intencionados, com o ímpeto natural de construírem um mundo melhor a abraçarem sua causa.

Como o próprio Adolf Hitler já disse: "Somente aquele que detém a juventude conquista o futuro." E, "Ao educar a geração jovem com as premissas da direita, o Estado do Povo terá que ver que uma geração da humanidade está formada e será adequada para este combate supremo que decidirá os destinos do mundo.".

Assim como as fakenews que assolam a mente da população menos instruída, e, por ventura,  menos prevenida, esse tipo de ação tem um claro objetivo:

TESTAR A ACEITAÇÃO POPULAR. PROCURAR SABER COMO A POPULAÇÃO VÊ A DITADURA E OS "SEUS RIDÍCULOS TIRANOS". 

Possivelmente tenha sido um pedido pessoal proveniente da própria FAMÍLIA MICO, já que o 02 esteve na mesma Assembléia sendo homenageado pelo PSL do Frederico Dávila.

Basta observar os debates inflamados nas redes sociais e sites de noticiários. É terrível de se imaginar, mas essa experiência já deu certo no passado, quem não se lembra do filme "A Onda"? Ou "Die Welle", na versão original. 

O que chama mais atenção nesse filme é que a experiência fascista retratada ocorreu DE VERDADE em um colégio norte americano em Palo Alto na Califórnia em 1967.

Estranhamente sempre há mentes aflitas em busca de um redentor e acabam projetando-o nas personalidades mais esdrúxulas. Basta observar o pastor Valdemiro, Edir Macedo e outros.

O que remete a uma outra frase do próprio Adolf Hitler: “É sempre mais difícil lutar contra a fé do que lutar contra a inteligência.”

Um espectro ronda o Brasil, e não é o do comunismo. 

Esta batalha foi vencida na ALESP. Quantas outras ainda teremos de travar?


Graciliano Tolentino
Graciliano Tolentino
Enviado por Graciliano Tolentino em 21/11/2019
Alterado em 21/11/2019
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