Escrivinhando... - Graciliano Tolentino
Vez em quando eu sinto, em meus sonhos, o cheiro daquela terra gostosa...
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AINDA LHE REVEJO, MARIELLE!

Ainda lhe revejo, Marielle!
Vejo de novo de tu sorrir
Vejo xingar o que não presta
E quando vence, aplaudir
E voltar a fazer festa
Sem que ninguém possa impedir

Me roubaram teu abraço, Marielle
Me levaram teu colo macio
Que um dia me acolheu
Me tirou do choro, me deu brio
Pra muita gente não doeu
Mas o meu coração se partiu

Um reino de bárbaros escrotos
Se instala em uma nação civilizada
Que já foi grande potência
Quando outrora governada
Por homens de competência
Lutando por toda sua jornada

Sequer cito presidentes
Todos com seus defeitos
Ou sequer inconfidentes
Também não cito prefeitos
Mas falo de dirigentes
Que ao mundo impunham respeito

Como Dom Pedro II
Que conduziu esta nação
E que mesmo moribundo
Contribuiu com a abolição
E que em todos os cantos do mundo
Se fala bem do cidadão

O que seria de Steve Jobs
Se não fosse Dom Pedro
Graham Bell não seria visto
A Inglaterra imporia medo
E de tudo que foi feito e dito
Este homem não tinha medo

Imprensa livre, marinha poderosa
Brasil unido de fato
Toda a gente orgulhosa
Estrada de Ferro rasgando
Toda essa pátria cheirosa
E o progresso espalhando

Felicidade para o povo
Alimento para a nação
Neste mesmo período
Dumont inventava o avião
Castro fez “Navio Negreiro”
A rainha ouviu um NÃO!

Quando na Questão Christie
Ela queria julgar um militar brasileiro
Por uma briga de bar
Com um marinheiro estrangeiro
Que então quis se colocar
Acima de um cidadão verdadeiro

Dom Pedro ainda fez mais
Fundou o batalhão feminino
E fez a nação abrilhantar
Quando Quitéria, ainda menina
Então fugiu de seu lar
Pra lutar contra o que abomina

O primeiro presidente
O que fez foi aumentar
Logo o próprio salário
E a imprensa censurar
Tirou o povo de otário
E ficou no comando sem sequer o consultar

O salário no Império
Era cinco vezes maior
E hoje sem nenhum critério
Põe-se o povo na pior
E manda pro cemitério
Garoto ainda menor

Marielle é uma das tantas
Que lutou pra confirmar
A abolição inglória
Que tentamos materializar
Já faz tempo que não conto
É uma luta secular

A Reforma Agrária, então,
Foi ele que discutiu
Firmou o primeiro acordo
A sua palavra cumpriu
Nunca falou um palavrão
Isso, ninguém nunca viu

Pedro II não tinha escravos
Ele alforriou os que ganhou de herança
Muitos eram seus amigos
Desde os tempos de criança
E todos eram contratados
E vistos com confiança

E hoje vemos a barbárie
Que se instalou na nação
Fuzil calando as bocas
Gente arrancando coração
Pessoas fazendo forcas
De tamanha desilusão

O que foi que aconteceu?
Perdemos mesmo a razão?
Marielle foi embora
E eu to com saudades dela
Meu coração agora chora
Eu queria o colo dela...

Graciliano Tolentino
15-12-2018




 
Graciliano Tolentino
Enviado por Graciliano Tolentino em 15/12/2018
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